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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Pouca vigilância e infraestrutura precária favorecem fugas na Penitenciária Agrícola

 

Imagem mostra três guaritas sem vigilância ontem pela manhã

 

Por: YANA LIMA


As constantes fugas registradas no maior presídio do Estado refletem uma realidade preocupante em Boa Vista: a insegurança do sistema prisional em Roraima. No caso específico da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), a pouca quantidade de agentes carcerários aliada a problemas de infraestrutura na unidade prisional é o principal facilitador de tantas fugas.

Só neste ano pelo menos 19 presos fugiram em três ocasiões. Mas até chegar ao problema das evasões, uma série de falhas contribui para o problema, a começar pela falta de efetivo. O Estado não conta com agentes penitenciários para a custódia dos presos. Hoje, cerca de 180 agentes carcerários da Polícia Civil são responsáveis pela guarda de aproximadamente 1.660 presos em todo o Estado, divididos em cinco unidades prisionais. Na PAMC são seis policiais em média por plantão para um universo de mais de mil presos. Uma resolução do Conselho de Políticas Criminais e Penitenciárias do Ministério da Justiça (MJ) do final de 2009 considera como ideal a média de um agente para cada cinco detentos.

Com relação à segurança externa, atua uma base de sete policiais militares por plantão, em vigilância nas guaritas e oito do Grupo de Emprego Tático (GET) – que acompanha os agentes carcerários, caso estes tenham que entrar nas alas. Segundo agentes carcerários, se não houvesse a atuação deste grupo, seria impossível trabalhar nos presídios por conta do baixo efetivo.

O matagal facilita o esconderijo e a fuga dos presos

Segundo o Sindicato dos Policiais Civis de Roraima (Sindipol), o baixo efetivo influencia em outro problema grave: a falta de rigidez na revista de visitantes, o que acarreta na entrada de drogas, dinheiro, telefones, dentre vários outros. Segundo o presidente, José Nilton, o número de pessoas que entram na PAMC em dias de visita chega a dois mil e a pequena quantidade de pessoas para realizar o procedimento de revista faz com que ele seja feito de forma superficial, para possibilitar a entrada de todos os visitantes. “Além disso, não há revista na saída, o que por muitas vezes possibilitaria o comércio de drogas dentro do local, pessoas de fora procurariam o presídio para comprar entorpecente e revender fora”, denunciou.

ESTRUTURA – Os poucos policiais que atuam no presídio ainda têm que lidar com problemas na estrutura física da unidade prisional. O matagal toma conta do presídio, e das 12 guaritas, apenas três são ocupadas por policiais militares. Além disso, a iluminação é insuficiente para garantir um monitoramento do local. Não há qualquer obstáculo entre as alas e os muros da unidade, que possuem cerca de cinco metros. Após conseguir sair das celas, o preso está a poucos metros do muro.

A grande maioria das fugas ocorre pela parte de trás da penitenciária, pois o grande perímetro do prédio é monitorado por poucas pessoas. Além disso, a unidade dispõe de vários túneis – além do forro em PVC das alas – que os presos utilizam para se esconder e fugir em ocasião oportuna.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), por meio de sua assessoria de comunicação, e foi informada que a pasta não se pronunciaria sobre o assunto, pois o titular está viajando. No fim do ano passado, a secretaria reafirmou que realizará concurso público para contratação de 300 agentes penitenciários no próximo ano e construirá dois presídios.

População teme aumento na criminalidade

Com nova fuga em massa na Penitenciária Agrícola Monte Cristo (PAMC), a população, em especial comerciantes, teme pelo aumento da criminalidade na capital. A própria Secretaria Estadual de Segurança Pública já afirmou que boa parte dos crimes, em especial os assaltos, é realizada por foragidos do sistema prisional.

Um funcionário público, que preferiu não se identificar, mostrou-se indignado com mais uma fuga registrada em Boa Vista. “Isso tudo acontece porque não investe em equipamentos de segurança na P.A. Aquisições simples poderiam minimizar as fugas, que acabam deixando a população à mercê dos bandidos”, reclamou.

O comerciante Josemário Soares disse que estuda até mesmo mudar o horário do funcionamento do seu estabelecimento para se proteger da criminalidade. “Vários comércios vizinhos já foram assaltados. Talvez fechando mais cedo ajude a evitar, pois a cada fuga nos sentimos mais inseguros”, pontuou.

Fonte: Folha de Boa Vista

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