ANDREZZA TRAJANO (Folhabv)
Além dos prédios públicos abandonados, como
denunciou anteontem a Folha, carros das polícias Civil e Militar deixados em “cemitérios de veículos”, sob a ação do sol e da chuva, igualmente representam um verdadeiro exemplo do mau uso do dinheiro público, ao passo que a população padece com a falta de segurança provocada inclusive pela carência de viaturas para serem utilizadas no policiamento ostensivo e judiciário.
São veículos inservíveis (oriundos de batidas e capotamentos) misturados a outros com possibilidade de reforma e ainda àqueles em aparente perfeito estado de funcionamento, que estão “parados” apenas por falta de peças.
A reportagem contou, entre viaturas e veículos descaracterizados, 31 veículos da Polícia Civil, amontoados na garagem do governo, e 29 da Polícia Militar, aglomerados no Centro de Suprimento e Manutenção (CSM). Se fossem empregados no policiamento diário, sem dúvida, a população estaria melhor assistida.
O flagrante do descaso é evidente nestes espaços. São veículos suspensos por pedras, com a lataria enferrujada, amassados, sem qualquer cobertura que os proteja contra os efeitos da natureza.
De cara dá para perceber que a frota da PM é mais antiga, enquanto a Polícia Civil tem veículos mais novos. Mas nas duas instituições existem veículos novos do tipo Sandero e também as caminhonetes Frontier, que custam à vista na loja R$ 32,9 mil e R$ 72,9 mil, respectivamente, os modelos mais simples, e R$ 34,5 mil e R$ 98,5 mil as versões completas.
No caso da Polícia Militar, pelo menos há uma oficina que funciona lá dentro do Centro de Suprimento e Manutenção. O local até lembra cenas do filme brasileiro “Tropa de Elite”, com os militares trabalhando no conserto das viaturas, correndo atrás de peças para colocá-las em funcionamento.
Dentro da oficina havia ontem nove viaturas e três estavam quase prontas para voltarem ao policiamento. A média é de que a cada três carros liberados, cinco chegam para consertar. A expressão “enxugar gelo” é bem empregada lá.
Os militares também dão preferência à manutenção e conserto de carros que atuam no serviço operacional do que os que são empregados no trabalho administrativo. Os veículos populares também são consertados primeiro, já que as peças dos importados, como a caminhonete Frontier, são mais caras.
No caso da Polícia Civil a situação ainda é pior, pois não há qualquer segurança no prédio, cercado pelo matagal. Tem até mato crescendo dentro dos veículos. Ainda muitos dos carros estão abertos, com aparelhos de som e rádio comunicador à espera dos bandidos, além de outros objetos em perfeito estado que também podem ser furtados, como os pneus, por exemplo.
Mais nova, a frota da Polícia Civil contempla veículos como L-200, Frontier, Sandero, Hilux, S-10 cabine dupla, além de uma quantidade expressiva de Corsa Sedan. Até os veículos utilizados pelo Pan-Americano de 2007, doados pelo Ministério da Justiça, estão lá jogados. Inclusive, estes veículos ainda têm a placa de Brasília. Muitos carros estão batidos, mas a reportagem encontrou outros que ostentam boa apresentação, como uma Frontier branca, por exemplo, de placa NAN 3436.
MAIS SUCATA – Além dos veículos abandonados na garagem do governo e no Centro de Suprimento e Manutenção, ainda existem mais carros, caracterizados e outros descaracterizados, amontoados no pátio da antiga sede da Secretaria Estadual de Segurança Pública, na avenida Ene Garcês, no Centro. Dessa vez, a reportagem não teve como contar a quantidade de carros abandonados.
PM diz que investiu R$ 200 mil em peças de veículos
Procurado pela Folha, o comandante da Polícia Militar, Gerson Chagas, disse que todo órgão tem viaturas em revisão. “Temos sempre de 30% a 35% das viaturas sempre em revisão, e com a PM não é diferente. Um carro policial roda, em média, de 250 a 350 quilômetros, e ter que trocar peça é normal”, disse.
Segundo ele, a frota de 90 veículos se divide entre o policiamento ostensivo da capital e do interior. Muitos estão sem condições de uso e serão levados a leilão, em razão do tempo de vida útil de um carro de polícia, que, conforme ele, é de três anos.
A PM tem contratos com empresas que fornecem peças, óleo, pneus e que também fazem alinhamento e balanceamento. Só em 2009 foram investidos R$ 200 mil em peças de reposição dos veículos.
“Se não paramos as viaturas para fazer a manutenção preventiva, elas param de vez. No caso dos carros batidos, temos que fazer licitação para ver se o conserto vale a pena ou então mandá-los para leilão”, afirmou.
Chagas ainda disse que a previsão é que até o final deste mês a corporação receba 34 veículos novos oriundos de um convênio do Ministério da Justiça, por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública.
Na semana passada, o Comando de Policiamento da Capital recebeu dois veículos Nissan X-Terra doados pela Força Nacional de Segurança Pública, com os equipamentos de polícia. No momento os carros estão recebendo a pintura com as características da Polícia Militar e em breve serão colocados no policiamento.
SESP – Sobre os veículos da Polícia Civil, a Secretaria de Segurança Pública informou que 18 veículos que estão na garagem do governo estão com a documentação pronta como inservíveis e que está sendo elaborada a papelada de outros para que possam ser encaminhados a leilão.
No caso dos veículos mais novos, disse que estão aguardando peças para então serem levados à oficina. Alguns esperam apenas orçamento. Quanto aos veículos amontoados no antigo prédio da Sesp, a secretaria informou que alguns irão a leilão e que outros fazem parte de inquéritos policiais.
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