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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Policiais fazem ‘vaquinha’ para manter serviços, acusa Sampaio

Em greve desde domingo, agentes carcerários levaram faixas ao plenário da Assembleia, onde pediram apoio dos parlamentares

Por: ÉLISSAN PAULA RODRIGUES

Os profissionais do setor de segurança pública do Estado estariam promovendo “vaquinhas”, como são chamadas as cotas entre várias pessoas, para levantar recursos e comprar equipamentos e insumos necessários ao desempenho de suas funções. A afirmação foi feita pelo deputado Soldado Sampaio (PC do B) durante pronunciamento ontem, na tribuna da Assembleia Legislativa,

tratando do clima de insegurança pública instalado em Roraima.

“É rotineiro que os policiais tenham que pedir de empresários a doação de peças de carros, pneus, equipamentos para fazer o serviço, para que o policiamento não pare. Os policiais não querem que a sociedade fique à mercê da bandidagem”, disse ele, que admitiu ter doado depois de ter assumido o mandato, uma bateria para que uma viatura pudesse funcionar.

Ele lamentou o aumento dos índices de violência no Estado e a falta de estrutura física em delegacias e unidades prisionais, que segundo o deputado, estão levando o sistema ao caos. “Essa questão é fundamental e o principal desafio do Governo. Essa situação já vem de algum tempo e no sistema prisional não é diferente. Existe a falta de condições de serviço aos trabalhadores, não pagamento de diárias aos servidores, que são constrangidos e forçados a viajar para o interior sem diárias. Já teve caso de policial preso, simplesmente porque não tinha recursos para suas despesas”, salientou.

“Tenho constatado que os crimes estão cada vez mais presentes na vida do roraimense. O cidadão de bem sofre com o crescimento da insegurança e não pode fazer nada para melhorar essa situação”, criticou.

Conforme Sampaio, a greve desencadeada pelos agentes carcerários, que ontem lotavam o plenário da Assembleia pedindo apoio dos deputados, é resultado de reiteradas quebras de acordo entre a categoria e o Governo do Estado. “Perderam a credibilidade naquilo que se propõe a fazer, e a greve aconteceu, a exemplo do que houve no ano passado, pelo concurso público, e por que os profissionais não têm motivo para acreditar em promessas”, reforçou.

Ele pediu que uma comissão de representantes da categoria fosse atendida pelo presidente da Casa, Chico Guerra (PSDB), e que os parlamentares se empenhassem na negociação de um compromisso público firmado entre o Governo e os profissionais.

Sampaio acusou o Estado de manter os profissionais em desvio de função e disse que a população deve estar temerosa, uma vez que pelo menos 370 foragidos da Justiça estariam à solta, levando medo à população. “Os bairros de Paraviana e Caçari são rota de fuga da Penitenciária Agrícola. Os bandidos vão ter que fazer alguma coisa com o filho de algum deputado, alguma autoridade para que seja feito algo? Quero dizer que qualquer ato de violência causado pela falta de segurança estará sob a responsabilidade do senhor José de Anchieta Júnior”, concluiu o deputado, se referindo ao governador.

Chagas propõe fim da greve e negociação com Governo

A proposta do deputado Coronel Chagas (PRTB) para minimizar o impacto causado pela paralisação de agentes carcerários é de colocar um fim à greve que já dura três dias, e ampliar o canal de negociação entre categoria e Governo do Estado. Ele se dirigiu aos representantes da classe, que empunhavam faixas no plenário da Assembleia pedindo apoio aos parlamentares, admitiu a necessidade de realização do concurso público e pediu que o assunto fosse tratado de forma resolutiva, e em caráter de urgência. “Entendo que devíamos encerrar a greve e partir para a execução. Não adianta contar os problemas, temos que resolver”, frisou.

Ele se propôs a compor um grupo de negociações, e pediu que os deputados tivessem compromisso com a segurança pública de Roraima. “Vamos somar esforços e mostrar a equipe técnica do Poder Executivo a necessidade eminente da realização do concurso, e da melhoria do orçamento das pastas ligadas ao setor”, reforçou.

Chagas disse que, embora o Governo tenha autorizado a realização do concurso público para a contratação de pessoal para atuar no sistema prisional, a efetivação dos aprovados no certame, mesmo que o edital fosse lançado hoje, dia 25, ainda tardaria de oito a dez meses.

“Sabemos da necessidade do concurso, mas é preciso urgência. Existe a defasagem no número de agentes, isso vem de anos, é preciso solucionar. Somos solidários às preocupações da categoria, mas temos o sentimento de cidadão e nesse sentido entendemos que a greve, no setor que já conta com poucos servidores é prejudicial para a sociedade, além de favorecer o crime”, complementou.

Fonte: FolhaBV

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