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quinta-feira, 14 de abril de 2011

SÓ EM RORAIMA – Médico opera perna errada de idosa

Paciente recebeu visita de deputados, que foram chamados para intervir no caso


Há 20 dias, a aposentada Edi Maria Hirt, 77, vinha sofrendo com dores na perna devido a uma fratura no fêmur. Seu sofrimento deveria ter terminado na manhã de ontem, uma vez que a cirurgia foi finalmente concluída no Hospital Geral de Roraima (HGR). No entanto, a paciente teve o procedimento realizado na perna errada e agora sofre com dores nos dois membros.

Ainda na tarde de ontem, a paciente foi submetida a uma junta médica, que comprovou que a perna direita foi operada no lugar da esquerda. A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) afirma que não pode falar ainda em erro médico, mas disse que vai tomar medidas administrativas, como abertura de sindicância, Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e representação junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM). Enquanto isso, o médico permanece afastado das atividades de assistência.

A Sesau afirmou que a paciente será submetida a uma nova bateria de exames e, se possível, será submetida a novo procedimento nesta sexta-feira pela manhã. A senhora, que é diabética, hipertensa e possui osteoporose, fraturou o fêmur em casa em atividade corriqueira, ao enxugar os pés. A cirurgia só não foi realizada antes devido à falta de uma prótese, da qual, segundo a família, o Estado não dispunha. Cansados de esperar, os familiares da idosa resolveram fazer cota para adquirir o material, que custou quase R$ 3 mil.

A idosa se internou levando um exame de raio-x de um hospital particular com o diagnóstico da fratura no colo do fêmur da perna esquerda, momento em que foi encaminhada para cirurgia no HGR. Após os 20 dias de espera, o procedimento foi realizado na manhã de ontem.

Segundo os familiares, além das próteses, a paciente teve que arcar com outros gastos, como a aquisição de gaze e outros materiais médicos para que a cirurgia fosse realizada. Logo em seguida, uma familiar que acompanhou todo o pré-operatório da senhora percebeu que o curativo estava na perna que até então estava boa.

A irmã da paciente, Odete Hirt, afirmou à Folha que o médico responsável pelo procedimento teria negado o erro e ainda ameaçado processar a família por calúnia e difamação. “Ele disse que nós estávamos sendo inconsequentes ao denunciar o caso e sair espalhando pelos corredores que ele havia errado, tentando convencer a família que não havia erro”, contestou. A família protocolou denúncia junto ao Conselho Regional de Medicina (CRM).

Os familiares acusaram ainda o profissional de rasurar o laudo para solicitação de internação hospitalar. Onde constava a letra E (esquerda) ele teria tentado desenhar por cima uma letra D (direita), o que dá a entender de que ele teria realizado o procedimento conforme o documento solicitava.

Inconformados com a situação, a família solicitou apoio dos deputados Brito Bezerra (PP), soldado Sampaio (PCdoB) e Dhiego Coelho (PSL), que foram ao local e intermediaram um encontro da família com o secretário de Saúde, Leocádio Vasconcellos, que conversou com a família e com a direção clínica.

Sesau constata falha, mas diz que é cedo para falar em erro médico

Apesar de admitir que a paciente operada possui uma perna que ainda necessita de cirurgia e outra perna saudável com uma prótese, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) atesta que não pode afirmar que houve erro médico. O titular da pasta, Leocádio Vasconcelos, disse ontem, em entrevista coletiva, que somente uma sindicância poderá dar um parecer definitivo sobre a conduta do médico.

Ainda assim, o secretário afirmou que a partir de hoje será iniciada uma sindicância e, que após a sua conclusão, se for confirmada a atitude falha, será instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que pode inclusive resultar na demissão do servidor, além de representação junto ao CRM.

“Nós pedimos desculpas à família pelo ocorrido e garantimos que todo o acompanhamento, aqui ou onde se faça necessário, será arcado por nós da maneira menos traumática possível”, disse Vasconcelos.

O cirurgião responsável é um médico efetivo concursado com dedicação exclusiva à pasta. Durante as sindicâncias e possível PAD, ele ficará em atividades administrativas. A sindicância obedece a um prazo legal de 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período. Caso haja um PAD, por outros 30 dias.

Com relação à prótese e outros materiais adquiridos pela família, a pasta afirma que pode ter havido um equívoco, pois o hospital dispõe dos materiais, mas que, independente disto, vai ressarcir a família de todos os ônus que possam ter sido provocados.

Com relação ao exame supostamente rasurado, disse que a equipe constatou a rasura, mas que não há como afirmar em que momento ela teria sido feita. Esse fato também será investigado.


Fonte: FOLHA DE BOA VISTA

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