A Associação de Policiais e Bombeiros acredita que a troca de Comando da Polícia Militar será importante para que a categoria possa ganhar forças. Para o presidente da entidade, Francisco Sampaio, “é com sentimento de vitória que esperamos que as chagas deixadas pelo ex-comandante sejam cicatrizadas. Esperamos que o novo comando possa criar um canal de comunicação entre a associação, PM e a sociedade, o que é ideal para a segurança pública”.
Francisco Sampaio disse que ainda hoje vai protocolar um ofício solicitando audiência com o novo comandante. “Estaremos nos colocando à disposição, desde já, a fim de construir um entendimento para o bem comum, apesar de o Governo do Estado em si não ter demonstrado compromisso com a segurança, que está um caos. Esperamos mudanças no direcionamento da política da PM e esperamos que o comandante tenha a sabedoria de conversar com todas as partes envolvidas e seja um conciliador”, afirmou.
Sampaio não poupou críticas à gestão do ex-comandante, coronel Gerson Chagas, e disse que a PM sofre com viaturas sucateadas, falta constante de combustível, telefones de emergência cortados em vários municípios, supressão de contracheques, falta de efetivo (principalmente no interior do Estado), escala de serviço desumana e descontos nas diárias sem respaldo legal.
Segundo ele, o comando nunca respondeu a um ofício protocolado pela associação nem convidou a entidade para discutir a criação da legislação da categoria – o que foi feito, segundo o sindicalista, de forma unilateral.
“O comando que por ora se despede é o mesmo que exerceu todos os cargos de secretário no que tange a Segurança Pública tais como SEJUC, SESP, Detran, API, Comando da PM, e até mesmo adjunto da Casa Civil. Ficou marcado como o negociador da greve que não cumpriu o acordo e, apesar da formação do ex-comandante ser humanística, ele teve uma atuação retrógrada, antiquada e centralizadora à frente da PM”.
OUTRO LADO - Ao ser procurado pela Folha, o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Gerson Chagas, disse que os ataques do sindicalista são apenas pelo fato de ambos serem pré-candidatos e terem o mesmo nicho político.
“Militares não têm sindicatos. O que existe é apenas uma associação e associações são feitas para cuidar do lazer dos associados. O problema é que desvirtuaram a finalidade da existência da associação. Ele [Sampaio] falta com a verdade quando trata da questão da legislação, pois nós fizemos assembleia com todos os servidores, e ele, como PM, esteve presente e fez uso da palavra”.
“Queria saber que parte do acordo com os grevistas que não foi cumprida. Os processos administrativos foram pedidos pelo Ministério Público. Nós, como comandantes, tivemos que instaurar, pois acarretavam crimes. Durante minha gestão desatei nós da legislação, permitindo a ascensão funcional de mais de 500 militares em 11 meses. Nós tínhamos PM com 30 anos sem uma promoção”, disse. (C.C.)
terça-feira, 23 de março de 2010
Para associação, ‘troca de comando’ renova esperanças da categoria
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